Eu sou uma metamorfose ambulante...

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Nordestino que ama a terra onde pisa e a cidade onde nasceu. Eclético por formação e escolhas. Sempre buscando uma ideologia para viver, não para se apegar como verdade absoluta, apenas para viver... Um ser que valoriza a vida humana em sua plenitude.
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terça-feira, 21 de julho de 2020

O Barril e a Esmola

Zombavam de Diógenes. Além de morar num barril, volta e meia era visto pedindo esmolas às estátuas. Cegas por serem estátuas, eram duplamente cegas porque não tinham olhos – uma das características da estatuária grega. [...] 

Perguntaram a Diógenes por que pedia esmola às estátuas inanimadas, de olhos vazios. Ele respondia que estava se habituando à recusa. Pedindo a quem não o via nem o sentia, ele nem ficava aborrecido pelo fato de não ser atendido.
 
É mais ou menos uma imagem que pode ser usada para definir as relações entre a sociedade e o poder. Tal como as estátuas gregas, o poder tem os olhos vazados, só olha para dentro de si mesmo, de seus interesses de continuidade e de mais poder. 

A sociedade, em linhas gerais, não chega a morar num barril. Uma pequena minoria mora em coisa mais substancial. A maioria mora em espaços um pouco maiores do que um barril. E há gente que nem consegue um barril para morar, fica mesmo embaixo da ponte ou por cima das calçadas. 
Morando em coisa melhor, igual ou pior do que um barril, a sociedade tem necessidade de pedir não exatamente esmolas ao poder, mas medidas de segurança, emprego, saúde e educação. Dispõe de vários canais para isso, mas, na etapa final, todos se resumem numa estátua fria, de olhos que nem estão fechados: estão vazios. [...]

Diógenes de Sínope
Cony, Carlos heitor. o barril e a esmola. Folha de S.Paulo, 5 de jan. de 2000. (Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0501200006.htm>). Acesso em: 21 out. 2015.

sábado, 6 de junho de 2020

Felicidade virou uma obrigação.


De um tempo para cá, tenho percebido uma obrigatoriedade da felicidade. Tudo parece que fornece felicidade, tudo é para sermos felizes, felicidade se torna o centro de nossas ações e pensamentos. E isso não é de todo ruim. O ruim é quando confundimos felicidade com obrigação de ter uma saúde mental. E aqui há uma enorme diferença. Pois saúde mental tem muito mais a ver com autoaceitação, saber resolver conflitos internos, lidar com afetos e desafetos, compreender aquilo que é bom ou ruim em nossas decisões e hábitos.
Então, nesse isolamento social percebo que é imposto pelas mídias, uma exigência de felicidade e serenidade, por parte de um grupo de pessoas, que possuem uma especialização sobre o tema. Mas vem cá, quem em plena pandemia, consegue ter constantemente bons pensamentos, andar tranquilamente, não desenvolver nenhuma crise de ansiedade? Quem? Caso aconteça de encontrar, das duas uma: ou é um ser alheio à pandemia que estamos vivendo, ou é um negacionista com sérios problemas cognitivos voluntários.
Falando em negacionistas e olavetes, os defensores de fake news, pessoas que são maléficas e defendem um fim de isolamento social de forma irresponsável, que não possuem nenhum compromisso com a vida humana, alienadas no discurso do presidente, embebidas de egoísmo e canalhice espiritual, são doentes e assim nos adoecem também. Com seus discursos alienantes e na base de um delírio coletivo.
Então, meus amigos e amigas, é muito normal não se sentir bem diante disso tudo. É desumano, exigir uma felicidade, uma alegria, uma normalidade dentro desse cenário que estamos vivendo. Sendo assim, sentimentos como ansiedade, medo, angústia, preocupação e alterações repentinas de humor, fazem parte de um sistema psíquico complexo, que está sendo analisado pelos especialistas. A melhor forma de amenizar essa situação, é entender que cada sujeito possui seu tempo e espaço. Procurar ajudar de especialista, não é garantia de felicidade, mas de necessidade.

Não passe por isso sozinho, se tiver condições financeiras de procurar uma ajuda especializada, faça! Conte com pessoas que possam contribuir para um equilíbrio na quarentena. Caso não tenha condições, converse com amigos, familiares que estejam passando pelo mesmo problema e que não sejam negacionistas. Procurar ajuda, não vai trazer felicidade, porém, um alívio de tensão nesses dias complicados. Afinal, felicidade de verdade, virá quando tudo isso passar, e ainda assim, deveremos olhar para trás e revisar os nossos erros para que não possamos cometê-los no novo normal que será vivido.

Naquele que está conosco na felicidade e na tristeza, 
Ìtalo Colares
Soli Deo Gloria

quarta-feira, 27 de maio de 2020

O prazer do pensar.

 "Perguntar e buscar é precisamente a raiz de toda ação do ser humano: o compreender, decidir e fazer humanos sopõem a função ontologicamente prévia, do perguntar, isto é, têm a estrutura de resposta a uma questão (téorica ou prática). O ser humano torna tudo questionável: o seu perguntar não pode terminar nem se esgotar. Esta constatação experencial motra que o perguntar ilimitado constitui a dimensão ontológica fundamental do ser humano. 

 Neste horizonte, sem confins, do perguntar humano há uma questão que se revela como a mais vital e próxima da existência, e como implicitamente presente em todas as outras questões: a pergunta do ser humano sobre si mesmo, sobre o sentido da sua vida. 

 Em todo o ato de perguntar, pensar, decidir e fazer, o homem vive a experiência de existir e tem a certeza vivencial de ser-ele-prórprio, que implica a questão - 'que sou eu?. Nesta experiência originária, imanente a todo ato humano, o ser humano sente-se confrontado com a pergunta acerca de si mesmo; vive a sua existência como recebida e originada, como imposta e não escolhida por ele e, por isso, como implicativa da questão sobre sua origem: de onde venho? Simultaneamente (em todo o ato humano) o ser humano experimenta-se como projeto, como liberdade orieantada para o futuro desconhecido (ainda não acontecido), e esta experiência implica a pergunta - para onde vou? A questão da origem e a do futuro formam o signo interrogante, que abarca a totalidade da vida."


ALFARO, Juan. In AMADO, J. e outros, O prazer de pensar, Lisboa: Setenta, s/d, p.64-65

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Conversa franca...


Olá Jovem, tudo bem?


Pra começo de história continue sentado, você vai cansar em ler esse texto. Se já estás sentado, muito bem, você só está sendo apenas alguém da sua geração.

Há muito tempo queria ter uma conversa com você sobre a vida, sobre seus pais, seus amores, suas drogas, suas noias, seus medos, e sua prepotência em se achar o centro do universo. Ei, padawan, teus pais e o mundo já tinha uma vida antes da tua existência.... 

Mas vamos com calma! Organizarei nossa conversa em um esquema, não partirei do mais relevante ao menos, mas aquilo que julgo ser necessário falar primeiro e por aí vai... 

1º - Não desperdice sua vida querendo chamar atenção e/ou querendo agradar quem não merece.
Muitos de vocês postam nas redes sociais coisas de alguém desesperado por atenção... "Para que tá feio!" Aquelas inúmeras curtidas e comentários são inúteis diante da pessoa que não te considera de forma alguma.... Se isso for em relação aos pais, esquece! Eles estão afundados em seus problemas conjugais, financeiros ou até mesmo em suas culpas. Sim! Eles se sentem culpados por inúmeras coisas e há uma remota possibilidade que você seja uma dessa culpa, mas não se estresse, VOCÊ não é o culpado, você é um ser humano que é digno de amor, de alguém, não sei quem, mas um dia vai chegar, se não chegar, você deve ser digno do seu próprio amor então. Isso mesmo, se ame brow! É um caminho que vale a pena.... mas não seja cego em seus defeitos, ninguém merece conviver com um babaca que se acha... saiba que mesmo você se amando há coisas em você que precisa melhorar, como é em todo mundo... 

2º - Para de declarar amores infinitos às pessoas que você se relaciona.
É fofinho ver as declarações de amores entre dois adolescentes, é realmente lindinho, mas sejamos sinceros: a probabilidade de serem "felizes para sempre" é bem remota. Então é aquela história, "que seja eterno enquanto dure?"Sim, é essa ideia mesmo. Você está vivendo em uma fase que conhecerá muita gente, e entre essas muitas pessoas, várias lhe chamarão atenção. E assim a vida acontece.  Mas para os que estão fazendo caras e bocas de reprovação pelo que estou dizendo agora, guarde essas palavras e daqui há alguns anos conversaremos.

3º - Não sejam tão intolerantes com seus pais ou responsáveis.
Assim como vocês que estão aprendendo a como viver nesse mundo doido, eles também estão tentando aprender. E o pior ainda cuidar de vocês. Então quando eles tomam uma atitude que você reprova, paciência! Eles estão aprendendo como cuidar de alguém agora com você. E claro que vão repetir os mesmos erros que os pais deles, no caso seus avós. Afinal, foram com eles, que seus pais, aprenderam a serem pais.... Então os perdoem. 

4º - Não encara o vestibular como o único caminho para a felicidade.
Poderia escrever um outro texto sobre isso. Cara, muitos de vocês se matam em nome desse ritual de passagem. Relaxa mano, fique em paz mina.... Vestibular não é algo que deve ser o centro da tua felicidade, até mesmo quando tu passar, verás que a única coisa que não terás é felicidade na faculdade... hahahahahahahaha... brincadeira a parte, mas segue a dica: vestibular não deve ser o centro de sua felicidade. É bom ter uma carreira? É! Mas não faça dessa caminhada uma psicose ou uma obsessão. Relaxe, divirta-se e caminhe no seu ritmo, faça a sua história de uma forma que ao olhar pra trás você aproveitou cada passo dado e curtiu. E tem como sim, estudar, preparar-se para o vestibular e ao mesmo tempo aproveitar a vida.

5º - Não leve suas certezas tão a sério!
A vida nos ensina que termos certezas absolutas sobre as coisas que podem mudar de perspectiva é uma infantilidade que não tem tamanho. Cara, relaxe, veja que determinados pontos de vista não valem a pena defender com tanto afinco, até mesmo porque não passam de um ponto de vista sobre algo. Amadureça, veja sempre as coisas em todas as nuances. A vida adulta chega e serão essas certezas, que podem em muitas vezes, te tornar um adulto chato e ranzinza. E aí tu irás se transformar naquilo que você mais lutou contra.

6º - Cuidado com os prazeres!
A juventude sem dúvida é rica em oportunidades para saciar todos os prazeres humanos. Cuidado! Não quero ter um discurso demagógico sobre não use isso, não use aquilo, pois sei que irão usar. Só peço que tenham cuidado. Tenham sempre controle daquilo que estarão usando ou fazendo. Não queira se arrepender depois de algo que você não queria ter feito. Use camisinha, veja a procedência da droga, não vá pelo momento. Se for pra usar algo, use com cuidado. E não use da falta de caráter em dizer que alguém o obrigou. Você quis. Seja responsável pelos seus atos. 

7º - Aprenda a ter a melhor companhia: você mesmo!
Uma das coisas que mais percebo na juventude é a falta de vivência consigo mesmo. Sócrates gostava da expressão: Conhece-te a ti mesmo! Então, segue esse conselho filosófico. Se conheça cabeção! Saiba o que gostas e o que não gostas, o que pode ou não pode fazer. Compreendas os caminhos do teu coração e ande por ele. É difícil no começo mas é um caminho que vale a pena percorrer, pois você encontrará um ser humano maravilhoso e digno de ser amado... Isso mesmo, você!

Bem.... tem muitas coisas pra conversar mas pra início de conversa franca, é isso. Espero que te ajude de alguma forma... Qualquer coisa nos esbarramos por aí e trocamos algumas ideias!

Naquele que se faz em nós.
Ítalo Colares.
- doxa
+ episteme.